
Há uns tempos atrás alguém me disse " a indecisão existe quando tu sabes muito bem o que queres mas achas que devias querer outra coisa ". E isto remete-me para a constante luta (de que os poetas se queixam tanto e que os loucos desconhecem) entre a razão e a emoção. Sabemos muito bem o que queremos, porque a emoção "estar feliz" é uma constante a atingir e, porventura, até nos encontramos a saber o que a poderia concretizar mas, por outro lado, sabemos que deviamos querer outra coisa pois é o que a própria razão faz questão de nos dizer (e repetir!). .
E das duas uma: ou seguimos, com racionalidade (e alguma lógica), aquilo que "deve ser" e submetemo-nos a um estado emotivo, hipoteticamente, desinteressante ou dispomo-nos a arcar com as consequências (sejam boas ou más) que não seriam mais do que a descendência directa dos nossos actos, muitas vezes, irracionais em prol de um sorriso na cara e uma alma feliz.
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Isto seria um drama se não fossemos capazes de adaptar esse conflito a todas as ocasiões da nossa vida. Mas até nos safamos bem...
Eu, por exemplo, resolvo a questão assim: "uma pausa no meu caminho". Uma pausa (de minutos, horas ou, quiçá, dias) na minha racional prestação diária para me entregar emocionalmente à magia de algo que a moral e os bons costumes poderiam censurar.
A minha consciência nem vai sentir qualquer repressão porque, afinal de contas, é só uma pausa. Até o indivíduo que trabalha nos serviços de saúde tem o direito à sua pausa para disfrutar do pecaminoso cigarrinho.
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Então, sejamos razoaveis, e façamos uma, duas, ou centenas de pausas no caminho da nossa vida sempre que for necessário, para que não percamos a nossa sanidade mental. Esta depende, mais do que das atitudes estritamente racionais, do nosso bem-estar, do nosso sentimento de vitória sobre os obstáculos que se nos impôem e, sobretudo, de todos os momentos (efémeros) que nos fazem sentir tranquilos e pensar "sou feliz".
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Joana